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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

check-in



Queria o silencio dakele espaço
o sentido dakele tato
- era fluido e tinha cor
Nem vira, mas sonhou.



Mal sabia do porto
pouco sabia do Outro
mas voou...
pra despertar imersa
na vazante serena
e seu proposto sabor.



Img Mônica Sweet

quarta-feira, 13 de junho de 2012

RECEITA



LAMBUZA-TE DE MEL
ÁGUA E FRUTA
DESFRUTA A FONTE FARTA      
                 DESTE SOM  z z z z z z z z z z  z z z  z z z                                                   no sono da noite                                                                                                                      o mar que é teu
                                                                                                                     te canta um canto
                                                                                                                        de lá e lã



SEJA FÃ DO CHÁ
DO ALHO E DA CEBOLA                                                                                        para que durmas anjo


           O FLAN DA FLANELA TE VASCULHA O SONHO


                        LARANJACANJACANELA


espirras em grego
e azul                       υ γ ι ε  ι α


                         MUSA TAMBÉM PEGA GRIPE!




(Emmanuel Marinho - Margem de Papel, 1994, Dourados)






                                  

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Presente de artista


Tal qual a beleza, a paisagem está nos olhos de quem vê.
O espaço por si só, é apenas espaço.
É o olho que, em contemplação,
seleciona um punhado dele.

Com a poesia, é igualzinho.
A coisa pode até ser áspera, rígida e tals.
Só que até a mais dura pedra,
o poeta faz limar diamante.
Um toco, uma pena e até um boeiro:
Tudo é passível de se tornar 1 poema.

Assim também pode-se dizer da pintura.
As cosas estão aí, desde sempre.
Sempre iguais.
Aí, vem um fulano-alguém,
e recorta essa realidade em cores.
(ele põe para os outros verem
esse mundo que gira dentro dele).

Desse modo, vê-se:
Todo artista é arquiteto!
Constrói sonhos e até rachaduras.
E é iluminador também:
Dá o devido foco aos tesouros comuns,
que passam batidos
na pressa do seu dia-a-dia.

Ainda dá pra dizer,
que cada coisa em si
(dentro da infinidade de coisas que tem pelo mundo)
carrega, junto com a seiva ou o sangue,
 a cor e o traço,
a melodia e o laço.

(tá tudo alí, é só amarrar).



quinta-feira, 27 de outubro de 2011

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

PÁSSARO (ALICE RUIZ - Proesisas)

Preste atenção, ela disse, ao abrir para mim a porta de sua casa: - o que a gente sonha aqui, tende a acontecer. Pensei que é preciso ter coragem para morar em um lugar assim, onde o que se sonha passa a existir. Precisa ter muita certeza do seu sonho.


Mas não lembro o que sonhei porque acordei, abruptamente, com o barulho de um pássaro que voara em direção ao vidro da janela como se ela não existisse. Assisti sua morte, seu canto de morte. Ele saberia? Janelas novas pedindo, urgentes cortinas. Se a casa fosse minha. Mas. uma casa pode pertencer a mim, substancialmente? eu mesma, tão passageira entre as coisas passageiras?


Ela disse: - eu agradeço por tudo, o tempo todo. - Pela dor também? Eu perguntei. E ela, em resposta, repetia minha pergunta: - pela dor também?


Quis contar do pássaro morto para lhe dar, além do enterro, um pouco de fama. Fama em vida não é bom. É uma espécie de geografia maldita porque quando você está nela, nenhum coração te alcança. O amor que ela oferece é o que te afasta do mundo. Para aceitá-lo só a submissa doçura de quem já morreu. Mas, às vezes é boa a dor porque nos lembra que estamos vivos. - Sim, eu disse pra ela, eu agradeço pela dor também.


- Eu sei uma dor de amor, ela respondeu como quem quer se livrar dela, e começou a contar: - Um dia, ele percebeu, surpreso, que a intensidade do amor que eu sentia, não podia ser verdade, não por ele. Simplesmente não tinha o tamanho dele. Não alcançava, nem de longe, aquele significado todo. Então voou.


- Então foi isso que você sonhou, eu disse. Ela parecia absorta, mas perguntou: - como era mesmo o pássaro que morreu?




terça-feira, 30 de agosto de 2011

sábado, 27 de agosto de 2011

Ei!
Alguém viu 
Aquífero Guarani 
por aí??


Ave!
Cerrado Campão
no agosto
trinca, arde, estrala.