quarta-feira, 21 de novembro de 2012

qualé o pente q t penteia?

Eh muito Topete
pra pouco cabelo.
Acorda, cumpadi!
Se olha no espelho. 
;)

é akela: de luz azulada e cheiro de mata

De tantas feições,
qual delas repousa o sereno?
Reflete o ensejo,
contempla o vazio?
Essa é que me refaz presente,
ausente de objeções.
Só paz.

domingo, 18 de novembro de 2012

conselhos notívagos:


"cuide de sua delicadeza, e seja densa quando preciso, pois isso vc já é. Delicada e densa."
^^

domingo, 11 de novembro de 2012

sábado, 10 de novembro de 2012

se eu fosse 1 bicho - borboleta
se fosse 1 fruto, amora
se eu fosse vc, dava 1 jeito.
- mas não se demora!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

p/ ti (sem métrica)



Do que foi,
ficou uma parte
q tange o sentido,
tinge a vontade.
Mas perdeu-se num som
- plon!
na caixa - box
que escreve tudo
mas só diz a metade.

Também!
já é tarde..
A mídia é fake
parcial, mediana...
não fala com tom
não chega a mensagem.

Que bom!
quem sabe é Deus
talvez a matrix
o cosmo, a cidade..
Que sabe o que faz:
mostra a cor e esconde
a tonalidade..

Não sei..
será?
saberias???
Tu que vais longe
e percorre avenidas,
estações, rodovias..
Caminho longo.....
de se ver despertar
a luz, da rotina.

Sei lá...
Só 1 coisa
eu diria:
o olhar já  encanta.
Não que me vejas
ou que eu, haja visto
esses olhos - membrana
- coisa estranha!
chamada retina.

Não.
O que vi foi impresso.
Mediado, medido.
Mas tinha uma pele
um toque, um sentido.
Era 1 faro, suposto
uma fonte esmaecida.


No mais, já é bom.
O trato, o tema,
o pretexto poema.
O tato, a pupila, o retrato
é inspiração doce e branda 
pra se escrever
poesia.



quinta-feira, 8 de novembro de 2012

v V v .


O Pássaro:

Passara só
ou em bando, seria?
pin.plong:
chuvinha inebria..

desagua o ensejo
enquanto minh'alma
- por lá
passarinha.


quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Uno

Não sei se chama Deus ou cosmo. Só sei que, quando chamado, responde; age. 
Melhor: reage.
Gracias aos Dois! Ao mesmo; ao Um. ~*

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

co-oração


Pelo peito
uma nuvem caminha.
Condensa, sublima
Sob a linha do sim.



Na muralha
uma imagem passeia.
Tece a veia -farta
Escorre pelo jardim.




Pela janela
horizonte anuncia
Dias claros, sãos
pro céu que despenca
em sua cor, seu clarão.




Do caminho 
Nebulosa dissipa
o rumor, a ilusão
da dura pedra
ver limar-te em fruto, o grão.

<3









sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Amor acaba



O amor acaba.
Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; 
acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar;
 (...) na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; 
(...)quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; 
no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores;
(...) e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir;
 (...) no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve;na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou,no coração que se dilata e quebra; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados;
e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; 
às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo;
 (...) a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto...

por Eleonora Goretkin
na íntegra: http://www.releituras.com/i_eleonora_pmcampos.asp




Em Fim

amor, se passa,
do fim
se apaga.

Se acaba.
Cobre
uma cova rasa,
tange uma brasa.

- Sob o peito dormente,
vermelho carmim.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Presente

"É importante, você me saber
Acolher, como eu colho em você
Esperanças de querer.."

Porque eu amo você
E espero você.
E mesmo qdo não sei
sua luz me diz o porquê.
Porque seu peito me enche
Preenche,
inspira.
E sua leveza repousa em mim.
Hoje, amanhã
sempre assim..
Não há tempo
nem espaço
que afaste
e desfaça
esse divino
 laço.

depois do ocaso

amarelo, carmim
do azul ao negro
noite-sendo 
em mim.


Gemini

Lá de maio.
Meio alma,
meio irmão.

Sol em Junho
Faz o germe
Sim e não.

Em agosto,
nuvem tarda:
Mês do cão.

Mas setembro,
já amanhece.
Ver-te, então.

Desse gosto
ter o cheiro:
Obstinação.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

sexta-feira, 31 de agosto de 2012


Havia 1 trilho, 
mas a estrada era looonga,
velha e estreita.
Recoberta de cinza,
fumaça e poeira.
Entre a bruma, por vezes,
me vi desolado, descalço,
sozinho.

Parei 1 pouco
repousei a fadiga,
refleti o espírito.
Vi a luz na neblina::
esqueci os espinhos.
Sem trem nem trio, por hora
as solas, em si, eram o melhor
caminho.







quinta-feira, 30 de agosto de 2012

meio marcado

1 mina, 
1 foz, 
1 fonte..
Quero t ver ali.
Não sei como, quando..
só sei onde.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Aqui, acolá

Ali,
vive num lugar com nome de mato.
Na mata, se inspira e refaz.
Fazendas e rios lhe permeiam o sono
- sonho de de se reviver o campo, 
céu de se retroceder o tempo.

Canta, diz,
fala num tom próximo à de um elfo.
- Ela bem sabe o ponto onde tange sua foz.
Faz tempo que num espelho d'água
se viu.

~~"

Ele,
pousa num canto com nome de santo.
Sente, em seu próprio peito, um porto.
Pouco sabe das trilhas até o próximo encontro.
Enquanto fita, costura e sonha.
- Encantos de um carretel solto de linha.

Caminha, ri
peregrina em avenidas largas, estradas poeira.
- bem sente o mapa das mãos, pequenino canteiro
Campeiro nas estações, para a vida bem-vinda
partiu.




domingo, 5 de agosto de 2012

OPORTUNO APAGÃO

O que fazer quando a energia elétrica não está em casa?


Procurar uma vela, com o tato. Acendê-la num abrigo, seguro e alto. Refletir sobre as possibilidades que tangem sua luz. Logo antes, ainda no escuro, perceber a intensidade da lua - que está cheia, e livre da iluminação civil para lhe ofuscar o brilho. Sob o silêncio dos aparelhos de som e TV, ouvir os grilos; que até então, nem existiam pelo quintal. Ver um vaga-lume lumiar! - Nem soubera que os tais bixanos perambulavam sua fonte pelo passeio público..

Sob a luz da - então - meia vela, rascunhar um verso. Num riso só, notar como a sombra desenha no papel, a caneta sobre ele empunhada. Sentir-se em paz com o escuro da noite - se fosse sua, a única casa sob a penumbra, teria logo ligado para a empresa provedora de energia; mas toda a vizinhança comungava da mesma situação: estava amparada, então.

................................

*   *   *    *     *      *     '      '          

A Luz voltou! Que pena... Mal tinha findado o poema!

De volta o som dos motores domésticos, a falação dos vizinhos - eles pareciam estar num tom mais brando, quando no escuro sozinhos...

~~~~~~~

Pensara: que de todas as previsões já descritas pelo homem, o melhor apocalipse seria o fim da energia elétrica. Tentou imaginar como se sucederia tal fato, mas isso era coisa grande demais para um fulano comum - mesmo um beato: era coisa pra Deus. Não o diabo.

Sabia apenas que não haveria agito noturno. Certamente o PIB do mundo seria outro - as pessoas só trabalhariam ao Sol:: férias durante o outono. Seria reduzida a velocidade da informação; e o relógio contaria n'outro passo: viveríamos o tempo solto e brando, das pontuais estações do ano.

Não haveria TV, geladeira, quanto menos micro-ondas. Não haveria lâmpada. Só lamparina e prosa - leve e longa. Teríamos apenas o céu, a lua e o som dos tambores. Faríamos fogo, se preciso fosse.

Beberíamos água, direto da fonte. Teríamos o dia pra tudo; a noite, pro aconchego e descanso. Seria mais fácil apaziguar no crepúsculo. Seria mais doce comungar o fruto. Teria olho no olho, não dente por dente. Seria mais leve viver o infinito presente.





segunda-feira, 30 de julho de 2012

Da chance, vereda


Vô te embalá:
Laço de fita,
papel de seda.


Pra te carregá
num sonho bom
até que amanheça.




quarta-feira, 4 de julho de 2012

O


                  ( *
                     ~~~~~~ 
                  
                  .
               __ 
  EVOLUA!   

Se,
tu evoluis,
eu evoluo.
E ele (o mundo)
Tocou a lua !

                         



terça-feira, 3 de julho de 2012

Gracias Hermano!

Receber uma coisa dessas, é sentir que não se vive em vão :)


"vc é tipo um lago pra mim. me passa uma tranquilidade, embora eu saiba da profundidade! lov!"





Só ir
Só ri
Sorri
:)

1 grão ... grãozinho

Até se for pra pensar no próprio umbigo, tem q se atentar pro coletivo. Ninguém está plenamente em paz, num país em guerra, por exemplo.
Cada ser humano tem, aproximadamente, 10 trilhões (!!) de células no organismo. Se uma única - destas diminutas criaturas - entrar em colapso, todo o corpo pode desfalecer. 
E você percebe? Nem conseguimos, sequer, enxergar uma bixinha dessas, com esses grandes e sensíveis olhos - que a terra há de comer. 

o.O

*Pozinho do Pozinho do Pozinho do Pozinho do Pozinho do Pozinho do Pozinho do....




imagem: Vik Muniz


segunda-feira, 2 de julho de 2012

Compasso

Sem laço
Risco 1 passo    
E.... 
 no acaso,
 meço 
1 traço.


-Ponto e linha
(de partida e chegada).

sábado, 23 de junho de 2012

1 Rumo

Rio Paraguai, fev. 2009













Se quero, espero
1 tempo,
1 meio,
1 fio.

Se vejo, desejo
1 vento,
1 remo
e 1 rio.



quarta-feira, 20 de junho de 2012

terça-feira, 19 de junho de 2012

segunda-feira, 18 de junho de 2012

104 anos atrás..




Hoje, 18 de Junho de 2012, comemora-se de 104 anos da imigração japonesa no Brasil.

Louvores a todos que transpuseram o oceano, em 52 dias a bordo de um navio! 

Adaptaram-se ao clima e à sociedade nada hospitaleira. 

Ultrapassaram o regime de semi-escravidão ao qual eram, inocentemente,  impostos.  

Livraram-se do preconceito e da perseguição do governo Vargas - em 1940 a circulação de todas as publicações em japonês é proibida, o governo invade suas casas e confisca seus bens, fotos e cartas.

Desbravaram o inóspito sul do Mato Grosso, a fim de construir a estrada de ferro - germe do povoamento deste lugar. 

Fundaram comunidades agrícolas, escolas, cidades. 

Preservaram e construíram uma das mais sólidas culturas existentes no Brasil - país de maior população nipônica fora do Japão (1,5 milhóes de descendentes na atualidade).

Graças eternas, em mantra, em espiral, à Batian Riyono e Ditian Jutaro Irie! E a todos que comungaram da mesma ânsia de se fazer florescer neste solo.

Banzai! a todos os seus frutos!
Das raízes ancestrais às sementes que estão por vir.


para saber mais:
http://www.suapesquisa.com/historiadobrasil/imigracao_japonesa.htm

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Hai Kai da IN. segurança

Pregos no muro
Trancados, estamos sós
Lá fora, o mundo





RECEITA



LAMBUZA-TE DE MEL
ÁGUA E FRUTA
DESFRUTA A FONTE FARTA      
                 DESTE SOM  z z z z z z z z z z  z z z  z z z                                                   no sono da noite                                                                                                                      o mar que é teu
                                                                                                                     te canta um canto
                                                                                                                        de lá e lã



SEJA FÃ DO CHÁ
DO ALHO E DA CEBOLA                                                                                        para que durmas anjo


           O FLAN DA FLANELA TE VASCULHA O SONHO


                        LARANJACANJACANELA


espirras em grego
e azul                       υ γ ι ε  ι α


                         MUSA TAMBÉM PEGA GRIPE!




(Emmanuel Marinho - Margem de Papel, 1994, Dourados)






                                  

Solstício

Ainda no inverno,
Verão.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Sem, sequer, encostar:

"Feito vinho de caju
amarrei-lhe  boca"


#SoberanoTempo

pedido

aimm Astro-Rei
Tanto que cê 
me inspira!
Sai 1 pokinho
Só pra rebatê
Esse cinza..



- Vento que vem e nem avisa, 
derrubando a flor
no meu para-brisa. 
- Que sopre pra longe o medo..
no mais, fico só com as flores.
Mesmo! ~*


Poesia de pára-brisa, por Tt Irie e Chris Haicai - fotografia de Adrian Okumoto  
Comeco de tarde ameno, chuva fresca na companhia suave dos irmaos Okumoto. 
Março 2011









segunda-feira, 28 de maio de 2012

Renascer Lá, em Si



Na mutação cíclica, o perene abre-e-fecha das encruzilhadas..
Entre despedidas e encontros, agradeço por cada um que fica na caminhada. 
Permanece no tesouro guardado; transpassa as tempestades e os tempos.
Dos novos ares, me inspiro e refaço.
Ventos bons os trouxeram!

Dos antigos olhos, sempre bom me ver pelas suas retinas..
Nas rugas que estão por vir, suas impressões em presente. 
Laço de cetim e veludo. Agradeço por cada um que me fazerem ser. 
E estar plenamente, nessa estrada de mato , terra e musgo.





sexta-feira, 25 de maio de 2012


                             Dêxa o cinza caí...

                             A maré virá.





quarta-feira, 23 de maio de 2012

O QUE SE SENTE JÁ FOI CANTADO



Fez-se mar,
Sinhá [sem ar]do meu penar
Demora não, demora não
Vai ver, o acaso entregou
Alguém pra lhe dizer
O que qualquer dirá
Parece que o amor chegou aí
 Eu não estava lá, mas eu vi
Clareira no tempo
Cadeia das horas
Eu meço no vento
O passo de agora
E o próximo instante, eu sei, é quase lá
Peço não saber até você voltar
(Marcelo Camelo)

Enquanto a chuva lamenta..

Será???

Que há vida,
de um passado etéreo,
vinda?

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Ali se esvai, Taquari



À noite, ou pela manhã
mirar um rio assim:
Vigoroso e tenro.
Na terra de suas veias,
imaginar seu destino perene:
Perecer sem a foz de seu rumo.
- Lamento de areia.


Rio Taquari, maio 2012

Inspira

A vida imita a arte (?!)
e o verso.
Reverso de 1 ser
em mim.

Sem hora
Sem meio
Nem fim..

~~~
'''''  °
 °
    *    

segunda-feira, 9 de abril de 2012

infelizmente

..nos perdemos pelo caminho; não sei bem onde..
na distância? na conveniência?
nos desvios que mais pareciam atalhos..

Silêncio, inércia...
o comodismo do próprio mundo,
onde o outro era apenas visitante, mero expectador.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Rumo ao Sumo (Leminski)

Disfarça, tem gente olhando…
Uns, olham pro alto,
cometas, luas, galáxias.
Outros, olham de bando,
lunetas, luares, sintaxes.
De frente ou de lado,
sempre tem gente olhando,
olhando ou sendo olhado.
Outros olham para baixo,
procurando algum vestígio
do tempo que a gente acha,
em busca do espaço perdido
Raros olham para dentro,
já que dentro não tem nada.
Apenas um peso imenso,
a alma, esse conto de fada.

pelos caminhos que ando
 um dia vai ser
   só não sei quando

















quarta-feira, 28 de março de 2012

sábado, 19 de novembro de 2011

Língua

Pois, no fim
são apenas palavras.
Palavras doces,
tortas e fúteis.


Como quem grita
e não mede o eco.
Faz a rima
e mal sabe conjugar o verbo.


Se é futuro, presente, pretérito.
Sem mérito, fala como quem faz.
Em sílabas artificiais,
o português se perde no alfabeto.


E ainda n'outro idioma
quer ser perito
como se a língua
lhe conferisse o gabarito.


Se engana, caro amigo
pois a palavra 'meão'
tem sempre o mesmo sentido
seja na Grécia, Senegal, ou no Japão.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

        
   A vida espiritual, a que a arte também pertence e de que é um dos mais poderosos agentes, traduz-se num movimento para frente e para o alto, complexo mais nítido, e que pode reduzir-se a 1 elemento simples. É o próprio movimento do conhecimento.

   Quando se chega a uma parada, quando a estrada é desembaraçada de várias pedras pérfidas, perversamente uma mão invisível lança no caminho novos blocos que o recobrem.

  Então sempre surge um homem. Um de nós, em tudo nosso semelhante, mas que possui uma força de 'visão' misteriosamente fundida nele.

    Ele vê o que será e o faz ver. Por vezes, desejaria libertar-se desse dom sublime, dessa pesada cruz pela qual se verga. Mas não pode. Apesar das zombarias e do ódio, atrela-se à pesada carroça da humanidade, a fim de soltá-la das pedras que  a retém e, com todas as suas forças, impele-a para frente.

   Com frequência, já nada do seu 'eu' corporal subsiste na terra. Tenta-se então reproduzir por todos os meios e em tamanho maior que o natural - no mármore, no bronze, na pedra - essa forma corporal, como se ela pudesse ter importância em tais mártires, divinos servidores dos homens, que sempre desprezaram a matéria e serviram apenas ao espírito. Mas esse 'mármore' é o testemunho visível de que homens cada vez mais numerosos chegaram ao ponto atingido pelo primeiro deles, aquele que agora se glorifica. 

Trecho do livro  Do Espiritual na Arte, de Wassily Kandinsky


Cativo?

Pois o seu cheiro
no travesseiro está.
Na digital impressa,
o seu brando olhar.


E ficou intacto
o incenso, o chá.
Na cadeira vazia,
o seu posto lugar.





domingo, 6 de novembro de 2011

ao longe

Mas uma coisa é certa, 
e se sente:
na espiral infinita,
tem sempre o ponto que volta.


Refaz, renova.
Como o sol e a flora.
A maré e a aurora.

(dia, noite e amora)

Solitude






Transe.





Esses dias assim, de chuva
Quentes, de inverno por dentro,
              parecem 1 buraco - incolor -
                no meio da história da existência.
                 1 fenda entre o que se foi
                 e o que se é.
                 
              ~~~~~~~~         ~~~~~~~~~~~~

Karma, lição, vida.
A conta nessa,
daquela outra que se viveu?

Tal qual o fogo:
queima, arde, transforma.
Purificaria??
Da cinza, a coisa se esvai.
Vira pó e adubo.






MONOCULTURA


Cultura de um grupo.




Só.




Acaso saberiam
que neste solo o que mais paira 
é a diversidade?



Slow motion

E, assim como o calor 
dava sua trégua 
para 1 breve frescor na noite,
aquele anseio - envolvido, é verdade,
por 1 certa angústia -
ia quietando devagarinho, 
até margear as flores 
ocultas do sonho...


terça-feira, 1 de novembro de 2011

A casa está vazia.
Sem achar a saída, abre
a velha ferida.







Presente de artista


Tal qual a beleza, a paisagem está nos olhos de quem vê.
O espaço por si só, é apenas espaço.
É o olho que, em contemplação,
seleciona um punhado dele.

Com a poesia, é igualzinho.
A coisa pode até ser áspera, rígida e tals.
Só que até a mais dura pedra,
o poeta faz limar diamante.
Um toco, uma pena e até um boeiro:
Tudo é passível de se tornar 1 poema.

Assim também pode-se dizer da pintura.
As cosas estão aí, desde sempre.
Sempre iguais.
Aí, vem um fulano-alguém,
e recorta essa realidade em cores.
(ele põe para os outros verem
esse mundo que gira dentro dele).

Desse modo, vê-se:
Todo artista é arquiteto!
Constrói sonhos e até rachaduras.
E é iluminador também:
Dá o devido foco aos tesouros comuns,
que passam batidos
na pressa do seu dia-a-dia.

Ainda dá pra dizer,
que cada coisa em si
(dentro da infinidade de coisas que tem pelo mundo)
carrega, junto com a seiva ou o sangue,
 a cor e o traço,
a melodia e o laço.

(tá tudo alí, é só amarrar).



quinta-feira, 27 de outubro de 2011

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Pela janela (em movimento):

A estrada. 
A terra vermelha, a ilha de mata.
A soja.
Lá no fundo,
a fumaça.
- Quisera, em sonho, que fosse um sinal.
De algum índio, por ali perdido.

NÃO.

A tal bruma densa, cor de cinza,
vinha duma coisa estranha,
chamada de Usina.

sábado, 8 de outubro de 2011

Ali, sim.

Não sou Loira. Tampouco uso sempre o mesmo vestido azul.
Mas 1 de meus universos é uma maravilha. 
Tenho vários amigos malukos e adoro tomar chá com eles (mesmo gelado, com uma tal erva mática - illex.....) 
Tem até um coelho apressado que vive me acelerando (e ele corre e dá pirueta dentro da minha cabeça)
Mas qdo entro na mata, 
tenho sempre a sensação de estar tocando a inconsciência.
Ah! A mata! 
Ali se vê. Ali se sente. Ali se é.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Papo Reto

Qualé cumpadi?
Deixando sua alma sozinha?
Tão grande vc, tão forte...
Pra se perder
no fundo d uma latinha :/

Jan. 2011

PÁSSARO (ALICE RUIZ - Proesisas)

Preste atenção, ela disse, ao abrir para mim a porta de sua casa: - o que a gente sonha aqui, tende a acontecer. Pensei que é preciso ter coragem para morar em um lugar assim, onde o que se sonha passa a existir. Precisa ter muita certeza do seu sonho.


Mas não lembro o que sonhei porque acordei, abruptamente, com o barulho de um pássaro que voara em direção ao vidro da janela como se ela não existisse. Assisti sua morte, seu canto de morte. Ele saberia? Janelas novas pedindo, urgentes cortinas. Se a casa fosse minha. Mas. uma casa pode pertencer a mim, substancialmente? eu mesma, tão passageira entre as coisas passageiras?


Ela disse: - eu agradeço por tudo, o tempo todo. - Pela dor também? Eu perguntei. E ela, em resposta, repetia minha pergunta: - pela dor também?


Quis contar do pássaro morto para lhe dar, além do enterro, um pouco de fama. Fama em vida não é bom. É uma espécie de geografia maldita porque quando você está nela, nenhum coração te alcança. O amor que ela oferece é o que te afasta do mundo. Para aceitá-lo só a submissa doçura de quem já morreu. Mas, às vezes é boa a dor porque nos lembra que estamos vivos. - Sim, eu disse pra ela, eu agradeço pela dor também.


- Eu sei uma dor de amor, ela respondeu como quem quer se livrar dela, e começou a contar: - Um dia, ele percebeu, surpreso, que a intensidade do amor que eu sentia, não podia ser verdade, não por ele. Simplesmente não tinha o tamanho dele. Não alcançava, nem de longe, aquele significado todo. Então voou.


- Então foi isso que você sonhou, eu disse. Ela parecia absorta, mas perguntou: - como era mesmo o pássaro que morreu?




quinta-feira, 1 de setembro de 2011